Ele é praticamente a alma do chorinho, formando um trio imbatível com a flauta e o violão. O cavaco (ou cavaquinho) também está no samba, do terreiro aos desfiles das agremiações, muitas vezes sendo o único instrumento harmônico.

Além dos gêneros urbanos, é encontrado ainda nas manifestações folclóricas, como as folias de reis, bumba meu boi, pastoris e chegança de marujos. E é sobre ele que vou falar hoje.

A origem do cavaco é portuguesa. Pelo menos esta é a opinião de autores importantes como Oneyda Alvarenga, Renato Almeida, Câmara Cascudo e Mário de Andrade.

Das terras lusitanas, o instrumento teria sido levado para a Ilha da Madeira (além de Açores, Havaí e Indonésia), onde passou por modificações antes de chegar ao Brasil.

Para você entender melhor o que é um cavaco, recorro à definição encontrada no livro Instrumentos Populares Portugueses: “Cavaquinho é um cordofone popular de pequenas dimensões, do tipo da viola de tampos chatos”.

E ainda na mesma publicação temos o seguinte: “…da família das guitarras europeias, com caixa de duplo bojo e pequeno enfraque, e de quatro cordas…”.

Outros nomes para o mesmo instrumento ou demais relacionados a ele são: machim, machinho, machete, manchete ou marchete; braguinha ou braguinho etc.”

Seja qual for o nome usado lá e aqui, além de formas e afinações coincidentes, o fato é que o cavaco está sempre ligado a festas de rua, manifestações populares.

Nos últimos anos, duas variações do instrumento ganharam força. A guitarra baiana é uma delas. Usada como instrumento solista dos trios de carnaval, é um tipo de cavaquinho elétrico de corpo maciço e modelo de guitarra.

O outro é o banjo-cavaquinho, cujo som alto combina bem com as percussões usadas nos chamados pagodes.

Em Portugal, o tom vibrante e saltitante do cavaquinho é perfeito para acompanhar viras, malhões, canas-verdes, chulas, verdegares e prins.

Outro detalhe interessante é a maneira de tocar o instrumento de ritmo e harmonia. Aqui, usamos a palheta para tocar as cordas; já em Portugal, são usados os dedos da mão direita, geralmente fazendo rasqueado (rasgado).

cavaco

Conheça os tipos de cavaquinho

Basicamente, existem dois tipos de cavaquinho, cada um com suas características construtivas: o minhoto e o de Lisboa.

O primeiro tem uma escala rasa no nível do tampo (tal como a viola), 12 trastes de metal e uma abertura chamada de “boca de raia”. Este modelo é muito usado na música popular nortenha; é tocado em “rasgado”, uma técnica possibilitada graças às cordas baixas e quase rentes ao tampo.

As dimensões do instrumento variam de modelo a modelo, mas não ultrapassam o comprimento total de 52 cm.

A altura da caixa é o elemento menos constante, geralmente tem 5 cm, embora existam cavaquinhos muito baixos – aqueles com um som mais gritante (os machinhos de terras do Basto e Minho).

Quanto às madeiras, os melhores tampos são em pinho de Flandres. No entanto, é comum a fabricação de cavacos em tília ou choupo, com ilhargas e o fundo em tília, nogueira ou cerejeira.

O cavaco de Lisboa tem escala saliente com 17 trastes, que se prolonga até a boca arredondada.

Ao contrário do tipo minhoto, o Lisboa tem cordas muito acima do tampo. O que permite executar a técnica do “ponteado”, ou seja, com palheta ou unha do polegar da mão direita.

O cavalete também difere do estilo dos cavaquinhos minhotos. No Lisboa, existe uma régua espessa e linear, com rasgo horizontal escavado no meio, ponto no qual a corda é presa através de um nó corredio.

Mas nos quesitos dimensões e tipo de encordoamento, o cavaquinho de Lisboa é semelhante ao minhoto.

Se você pretende tocar, já iniciou o aprendizado ou é, simplesmente, um apaixonado pelo som do cavaco, fique de olho aqui no site. Vários outros conteúdos sobre o instrumento estão vindo por aí.